"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...Ou toca, ou não toca." - Clarice Lispector

Por aqui passam

sábado, 17 de dezembro de 2011

"Porto Solidão"


Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...
Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo...
Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...


(Jesse)

sábado, 17 de setembro de 2011

"Sei que..."

... A pedra que empurro murro a murro
morro acima, e que volta sobre mim,
são lembranças revoltadas, sem fim,
de criança mal amada, de um casmurro.

Da distância em que me vejo e empurro
esta desgraçada pedra de rim,
de mitologia grega, de arlequim,
não ouço - da razão - o maldito sussurro
que parece prometer o paraíso.

Por isso perco a pose e tropeço
de novo, cada vez mais indeciso.

Porque ouço pensamentos pelo avesso
e minha língua amarrada e de improviso
se explode, gritando sem endereço

(Ricardo Leandro)

terça-feira, 17 de maio de 2011

"Mais"


E com a naturalidade do amanhecer

Nasce um sorriso tímido

Encantador

Que me seduziu

Transformou

Fez nascer uma linda flor

Ah! E aqui dentro tudo mudou

O medo também surge. É natural!

Mas as sensações são compensadoras

E com isso quero ir ate onde não houver mais as palavras

Quero ir ate onde um olhar possa falar os sentimentos mais profundos

Perdidos

Achados

Inventados

Sentidos

Vividos



domingo, 3 de abril de 2011

"O Meu Olhar"

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de, vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar.
 
Alberto Caieiro